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Sobre frausantana

Professora de alemão há mais de 20 anos, apaixonada pela língua alemã, pelo país, pelo povo ... pelos pães, pelos bolos ... Formada em Letras pela UNICAMP, licenciada em Alemão pela UFPR, estudou língua e literatura alemãs na Universidade de Tübingen e Tradução na Universidade de Heidelberg. GDS pelo Instituto Goethe.

das Wandern

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Ah, que saudades me deu vendo essa foto …

Saudades daqueles passeios que eu fazia nas florestas próximas ao Studentenwohnheim onde morei em Tübingen, depois nos parques de Mannheim, onde também morei, ou em outras florestas, em bosques encontrados em passeios por cidades vizinhas …

Saudades daquela sensação maravilhosa, do silêncio, do ruído do pisar nas folhas, do frescor ou do gelo entre as árvores … muitas vezes sozinha, algumas acompanhada de amigos, amigas, turmas grandes ou pequenas.

Especial mesmo era quando caminhava só, aliás, não só, mas só comigo mesma. Sempre gostei da minha companhia, até em situações em que desejei ter alguém do meu lado, além de mim.

Eram momentos de conversa íntima comigo, reflexões, dúvidas, ou só de ouvir a minha respiração. De sentir como meu corpo se comportava.

Quase sempre recolhia  folhas do chão no outono, levava-as para o meu quarto, escolhia livros para colocá-las dentro deles, onde elas iriam secar e se eternizar.

Ainda hoje acontece de eu abrir um livro daquela época e topar com uma folha. Amarela, marrom, vermelha, laranja …

Saudade … saudade boa, com bons sentimentos, boas recordações.

Sou grata e feliz por ter vivido isso.

Herbstblätter

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das Schwäbische

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Ownn, o Schwäbisch Resultado de imagem para coração

… primeiro dialeto com o qual tive contato quando cheguei na Alemanha. Hoje tenho saudades de ouvi-lo, acho fofinho e tal, mas nas primeiras vezes que o ouvi, pensei: “Gente, que língua é essa?” ou “Que língua me ensinaram no Brasil? Me enganaram! Não foi alemão! Não entendo nada do que esse povo tá falando!”.  🙂

Com o tempo fui aprendendo um pouco dele. Claro que mais de forma passiva, pra poder sobreviver mesmo, poder entender o que as pessoas diziam, porque todo mundo me entendia quando eu falava o Hochdeutsch.

Faz tempo que li o link abaixo, mas esta semana, por ter recebido um whats em Schwäbisch, me lembrei de compartilhá-lo com vocês.

Tschüssle!

Schwäbisch

http://www.dw.com/pt/su%C3%A1bio-economiza-at%C3%A9-nas-palavras/a-1682361

die Uni

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Uma semana depois da minha formatura na UNICAMP, exatamente no dia 26 de dezembro de 1986, parti para a Alemanha. Aliás, parti para a Espanha, mais exatamente para as Ilhas Canárias, para conhecer a terra da minha família, dos meus pais e irmãs. De lá fui para Madri, Barcelona, Toledo, Toulouse, Zurique e … Owingen!

Eu queria estudar na Alemanha, mas até então não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Só com o tempo (e muitas cabeçadas), lá pra maio de 1987, foi que eu consegui descobrir o caminho que eu teria que percorrer pra chegar na Uni.

Como eu já tinha um diploma universitário, bastava fazer uma prova de alemão e me matricular. E para conseguir passar na prova (que eu queria muuuuito!), eu podia frequentar um curso preparatório gratuito oferecido pela faculdade.

Fiz o curso direitinho e passei! Uhuuu 🙂

Mas como cada caso é um caso, achei hoje este artigo que fala das várias possibilidades e necessidades para se estudar na Alemanha. Acredito que seja super útil para todos que seguem o blog!

universidade-na-alemanha-1

http://alemanha-para-brasileiros.de/estudar-na-alemanha/estudar-em-universidade-na-alemanha/

der neue Job

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Amigos brasileiros já trabalhavam num restaurante um pouco fora de Tübingen, onde relatavam ser muito bom. Ficaram de conversar com o gerente sobre mim, afinal, eu estava desempregada e precisava urgente de dinheiro, pois as economias tinham acabado durante o meu período pós-operatório-engessada.

O ambiente nesse restaurante era muito, muito melhor que no grego. Eu obviamente me sentia bem mais à vontade, já que estava no meio de estudantes e o chef, embora não fosse estudante, era um cara muito legal, alemão, jovem, descolado, adorava a gente (a maioria dos estudantes que trabalhavam lá eram brasileiros).

Outros alemães também trabalhavam lá. Acabei sendo “contratada” para trabalhar 3 dias por semana, que dava 20 horas semanais, o permitido para uma estudante.

Apesar de já ter tido um job parecido no restaurante italiano e no grego, tinha que aprender coisas novas da cozinha deles. Sem problema. Aprender é comigo mesmo, ainda mais em caso de necessidade, né? =)

Nas primeiras semanas trabalhei de bota para manter uma certa estabilidade do tornozelo. Tentava não escorregar no vai e vem da correria, mas às vezes dava uma derrapada no chão molhado … ai …

Schild rutschen

 

das Glatteis

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Saindo do pronto socorro, me dirigi ao carro do meu amigo e fomos para a minha república. Andei de braços dados com ele, porque a insegurança era grande! Ainda  mais no inverno, aquele chão escorregadio …

Voltei a trabalhar porque não tinha mais como viver de dinheiro emprestado. Lá, se eu não trabalhava, também não ganhava! Mas não voltei mais naquele restaurante grego, já que eu tinha pedido demissão (para lembrar, procure os posts “Der neue Job” e “Die Treppe – eine komplizierte Beziehung”). Comecei a trabalhar num restaurante alemão que empregava estudantes. Três dias por semana, e algum dia no fim de semana também. Trabalhava de bota porque tinha pavor de torcer o pé, que ainda estava muito sensível, além da perna estar fraquinha.

Apesar de todos os cuidados ao andar, lembro direitinho de um dia em que torci o pé andando pela rua … parei, chorei um monte apoiada numa parede qualquer e … continuei andando, fazer o quê …

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