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das Wandern

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Ah, que saudades me deu vendo essa foto …

Saudades daqueles passeios que eu fazia nas florestas próximas ao Studentenwohnheim onde morei em Tübingen, depois nos parques de Mannheim, onde também morei, ou em outras florestas, em bosques encontrados em passeios por cidades vizinhas …

Saudades daquela sensação maravilhosa, do silêncio, do ruído do pisar nas folhas, do frescor ou do gelo entre as árvores … muitas vezes sozinha, algumas acompanhada de amigos, amigas, turmas grandes ou pequenas.

Especial mesmo era quando caminhava só, aliás, não só, mas só comigo mesma. Sempre gostei da minha companhia, até em situações em que desejei ter alguém do meu lado, além de mim.

Eram momentos de conversa íntima comigo, reflexões, dúvidas, ou só de ouvir a minha respiração. De sentir como meu corpo se comportava.

Quase sempre recolhia  folhas do chão no outono, levava-as para o meu quarto, escolhia livros para colocá-las dentro deles, onde elas iriam secar e se eternizar.

Ainda hoje acontece de eu abrir um livro daquela época e topar com uma folha. Amarela, marrom, vermelha, laranja …

Saudade … saudade boa, com bons sentimentos, boas recordações.

Sou grata e feliz por ter vivido isso.

Herbstblätter

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Die Reise im Winter

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Voltei. Será que voltei mesmo? A sensação é de estar um pouco lá, um pouco cá, ainda.

As boas lembranças deixam a gente leve, não? É como se eu estivesse levitando …

Fui no inverno. Se eu gosto de frio? Não, nem um pouco, nada mesmo. Aliás, até sofro demais com ele. Quem me conhece de perto sabe que é só começar a refrescar  o tempo que já me empacoto toda.

Mesmo assim, fiz questão de viajar para a Alemanha no inverno. Alguns motivos muito mais importantes do que rever a neve (ou tentar) me fizeram tomar essa decisão.

Quem já passou o inverno na Alemanha (eu passei 6 quando morei lá) conhece bem os pontos positivos e os negativos dessa estação do ano. As características que as pessoas mais comumente citam são as poucas horas de claridade no dia, poucos dias de sol, neblina, frio frio frio (de verdade) …

Ao mesmo tempo em que essas circunstâncias levam a sentimentos como tristeza, melancolia, solidão, rigidez, introversão, há um outro lado, maravilhoso na minha opinião: esse mesmo frio leva as pessoas a buscar aconchego, calor (também humano), cafés, chás, comidas mais consistentes …

Na verdade, era isso o que queria: sentir de novo esse contraste entre o frio gelado e os lugares quentinhos, a solidão das mesas e cadeiras nas calçadas e os restaurantes e cafés cheios de gente, o silêncio das ruas e o barulho (embora sempre discreto) das lojas e livrarias, a escuridão às 16h00 e a penumbra naqueles bares com a vela acesa na mesa …

Tudo isso, e mais, encontrei nesse pedacinho de inverno que passei lá. Como sempre (já tinha voltado ao país desde que saí de lá há 20 anos, mas sempre no verão) inúmeras recordações brincaram na minha cabeça em cada canto que visitei e re-visitei. E, o melhor de tudo, todas acompanhadas de uma sensação maravilhosa de ter valido muito a pena tudo que vivi e aprendi naqueles 6 anos, os amigos que fiz, as dificuldades que tive, os desafios que enfrentei …

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