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Die Party

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Pascale, a francesa da minha república, resolveu dar uma festa pra mostrar ao mundo que estava morando com uma brasileira! Eu não conseguia entender porque pra ela isso era tão inusitado … mas como comentei no post da entrevista nas repúblicas, ela achava muito exótico ter uma moradora brasileira morando com ela. Na ja, fizemos  a bendita festa.

Como eu estava trabalhando, as meninas organizaram tudo, comidas e bebidas, limpeza geral e tal. Eu ainda não me sentia tão à vontade com elas, afinal de contas era a primeira vez que eu estava morando numa república, ainda mais na Alemanha, ainda mais com uma francesa e duas alemãs! Tudo isso ainda era muita novidade pra eu digerir. Mas … encarei a boa intenção das meninas em fazer uma pequena comemoração em homenagem à nova integrante do grupo.

Obviamente eu não conhecia ninguém que elas tinham convidado. Cheguei do trabalho “naquele estado” (imaginem como: eu estava voltando de horas de trabalho na cozinha de um restaurante!), sentindo um misto de curiosidade, medo, apreensão, alegria (afinal, eu ia saber como era uma festa alemã) …

Fui subindo as escadas e me perguntando o que será que eu ia encontrar lá em cima. Quando cheguei ao meu destino, Pascale logo veio ao meu encontro e começou a me apresentar para as pessoas. Todo mundo muito bacana e tal, mas vários não queriam acreditar que eu era brasileira. Branquinha, tímida, quietinha, “como assim”? Senti que alguns tiveram um pequeno choque.

Mas o mais marcante foi quando um dos convidados entrou no meu quarto (a festa acontecia nos quartos, afinal, o espaço da república eram os  quatro quartos, já que a cozinha era um cubículo e o hall minúsculo) e disse: “Keine Bücher?”.

Pois é, eu tinha levado poucas coisas comigo pra Alemanha, afinal nem sabia se iria conseguir ficar por lá. E livros, lógico que eu não levaria, eu compraria lá! Mas ainda não tinha chegado esse momento. Eu ainda estava no início dos estudos.

O espanto do rapaz ficou marcado na minha memória. “Wieso hast du keine Bücher? Das gibt’s doch nicht!”.

party in der wg

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Die Wohngemeinschaft

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Pois é, gente, pra entrar numa república em Tübingen passei por uma entrevista em duas delas.

Eu ainda morava em Owingen e fui a Tübingen um dia só pra isso. A primeira república em que fui entrevistada era formada por três meninas, duas alemãs e uma francesa. Eram 4 quartos, um pra cada menina, uma cozinha minúscula, um banheiro apertadíssimo (aliás, só toilette), e … sem chuveiro! Ficava no 4. andar de uma casa antiga. A localização era excelente: Kirchgasse 4, direkt am Marktplatz! Melhor, impossível! O preço era ótimo, bem compatível com o que eu ganharia na pizzaria.

A segunda era vizinha da primeira, ou seja, a localização era tão boa quanto. Sete pessoas, meninos e meninas, morando em sete quartos, uma cozinha espaçosa, banheiro (com chuveiro!), um hall bem grande de onde saíam os quartos, lavanderia (com máquina de lavar roupa, um luxo!), enfim, outro nível.

Acabei ficando na primeira, pois a segunda foi ocupada rapidinho. Pascale, a francesa, ficou empolgadíssima com uma brasileira na república (eu me sentia meio uma arara, um mico-leão-dourado, sei lá, sabe, de tanto que ela propagava aos quatro ventos que morava com uma brasileira, e que isso e que aquilo e que aquilo outro!).

Bom, definida a república e acertado o dia do início do trabalho na pizzaria, só faltava uma carona pra mudança.

Zimmer in WG