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Kein Mut

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Gente, vocês vão ter que me perdoar, mas era impossível tomar banho todo dia na república em que eu morava usando aquelas muletas, morando no terceiro andar (sem elevador) de uma”Fachhaus” antiquíssima, com escadas de madeira do século XII (por aí), (madeira forte, com certeza! Nunca vou esquecer o ruído do rangido quando se pisava nela), degraus assimétricos … e, lembre-se de que no nosso andar não havia banheiro, só toilette! Tínhamos que subir para a república do quarto andar para termos acesso a um chuveiro movido a moedas de marcos alemães. Numa cabine minúscula. E quando as moradoras deixavam, coisa que não acontecia sempre. Complicado, estão percebendo? A situação não era fácil não!

E mais: se eu não tivesse uns 3 amigos pra ficarem comigo enquanto eu subia e descia as escadas até a república de cima, nada feito! Nem morta que eu arriscava “muletar” por aqueles degraus sozinha! Ich hatte gar keinen Mut!

Antes do acidente era bem menos complexo arrumar uma ducha. Eu pedia para os amigos e ia na casa deles me banhar. Ficar pedindo pra tomar banho na casa dos outros é bem esquisito … mas a gente se acostuma, fazer o quê.

Porém naquele momento, super limitada (praticamente presa) pelas muletas, não dava mesmo para descer aquelas escadas e ir até a casa de alguém.

Mas eis que um dia, depois de muitos e muitos dias de neblina e frio gelado, saiu o sol! Ah, quando o sol aparecia não tinha quem resistisse a ele! Todo mundo saía pra rua. E eu também saí naquele dia ensolarado e frio de fevereiro de 1988 para passear de muletas, pelo menos um pouco, pelo Marktplatz de Tübingen …  as mãos sem luvas, geladas, pra me sentir mais segura quando me apoiava nas muletas …

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Kulturelle Gewohnheiten – 7

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Eita assunto delicado esse, viu?

Kultur

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2010/05/estrangeiros-listam-dez-exemplos-que-o-brasil-poderia-exportar-2898352.html?utm_source=Redes+Sociais

7 – Pois é, né? Logo que cheguei na Alemanha, morei sozinha em Owingen. Ok, sozinha não se conhecem os costumes do país no que se refere a higiene pessoal. Logo me mudei pra Tübingen, pra uma república, lembram? E pra uma república sem banheiro, só com toilette. Como eu contei no post “Ein neuer Anfang”, tomava banho na república de cima, ou seja, eu não percebia se as meninas tomavam banho todo dia ou não. Mas … eu observava tudo e ouvia comentários, principalmente dos brasileiros, sobre a higiene dos alemães. Tudo que fiquei sabendo teoricamente fui vivenciando aos poucos. É, realmente os alemães que eu conheci não tomavam banho como nós, brasileiros. Escovar os dentes tantas vezes por dia também não vi, como dizem os estrangeiros do link acima. Porém, sempre respeitei os hábitos deles, afinal de contas, outra cultura, outros pontos de vista, outros contextos! Um rapaz me disse um dia que não usava desodorante porque o spray prejudicava a camada de ozônio (isso foi em 1988). Certíssimo! Eu, apesar de achar sensato o ponto de vista dele, nunca deixei de usar …

Eine Dusche in der Küche

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Já contei em alguns posts sobre minhas experiências com banho na Alemanha (“Ein neuer Anfang” e “Die Umfrage – Endergebnisse” – procure no widget “O que você está procurando?”), lembram? Pois é, e fiquei de comentar sobre uma experiência inusitada que tive numa república que visitei.

O caso se deu na casa de amigos de amigos meus, alemães, todos estudantes. Chegamos para tomar um café com eles, fazer um lanchinho à tarde. Sentamos numa mesa grande na cozinha, batemos papo e tal, e fomos nos servindo e comendo. Tudo muito agradável, transcorrendo normalmente, quando de repente eu olho pra frente e vejo, no meio da cozinha, uma cortina de plástico se abrindo e uma moça nua saindo, molhada, de trás da cortina. Gente, que imagem mais surreal! Como assim, uma moça saindo pelada, molhada, do meio da cozinha, caminhando tranquilamente pro quarto? Por quê? Como? Quando? Onde?

Simples! Ela estava tomando o banho dela! É! Tinha um chuveiro no meio da cozinha/no meio da cozinha tinha um chuveiro! (“No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho” – lembrando C. Drummond de Andrade). A casa era muito antiga e não possuía chuveiro nem banheira. Não havendo outra possibilidade técnica de instalação, foi lá na cozinha mesmo que resolveram colocar a ducha, então.

Bom, preciso dizer que achei a ideia super prática, sem frescura, legal mesmo. Mas que foi muito estranho ver aquela cena, isso foi …

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